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A quebra dramática no poder de compra dos trabalhadores das Administrações Públicas e a consequente dificuldade para atrair trabalhadores qualificados devido às baixas remunerações, estão a destruí-la. Esta é a principal conclusão do mais recente estudo do economista Eugénio Rosas

Numa altura em que centenas de milhares de professores, médicos, enfermeiros e muitos outros trabalhadores das Administrações Públicas lutam pelos seus direitos, contra a degradação das suas condições de vida causada por uma perda dramática do poder de compra das suas remunerações, e por melhores condições de trabalho para poderem servir melhor a população e o país, segundo Eugénio Rosas interessa mostrar com objetividade a que estado chegou a Administração Pública como consequência da ação de sucessivos governos nomeadamente a partir de 2011.

O economista utiliza os últimos dados referentes às remunerações base médias dos trabalhadores das Administrações Públicas divulgados pela Direção Geral da Administração Pública (DGAEP) do próprio governo, em 27/1/2023, para demonstrar que entre 2011 e 2021, o poder de compra das remunerações líquidas dos trabalhadores das administrações públicas reduziu-se, em média, 12,2%. Sendo a que dos enfermeiros “encolheu”, precisamente 12,1%.

Estes dados que foram utilizados nos cálculos são os divulgados pelo próprio governo (remunerações base médias ilíquidas de 2011 e 2022 das diferentes categorias, respetivamente)

 

Quadro 1- Remunerações medias mensais ilíquidas e líquidas, e evolução o poder de compra entre 2011 e 2022

 

 

Como revela o quadro 1, entre 2011 e 2022, o poder de compra das remunerações base médias dos trabalhadores de todas as Administrações Públicas (Central, Local e Regional) sofreu uma redução média de 12,2%, sendo que há categorias profissionais em que a perda de poder de compra foi ainda maior.

De acordo com Eugénio Rosas é evidente que esta perda significativa de poder de comprar que os trabalhadores da Função Pública sofreram, que causou uma profunda degradação das suas condições de vida, teria de ter pelo menos duas consequências: (1) A revolta dos trabalhadores, o que está a suceder; (2) Uma degradação do funcionamento da Administração Pública o que é agravado pela falta de investimento (em 2022, dos 9106 milhões € previstos em todas as Administrações Públicas apenas foi gasto 6664 milhões €, no Estado a situação ainda foi mais grave pois ficaram por aplicar 33% do previsto no OE, e no SNS apenas se aplicaram 45% dos valores do investimento previsto)

Para concluir o economista afirma que esta degradação das condições de vida dos trabalhadores não só se verificou também nos últimos anos, como até aumentou em 2022, como provam os dados do governo (DGAEP). Entre 2021 e 2022, as remunerações base ilíquidas, portanto antes de deduzir os descontos, dos trabalhadores de toda a Administração Pública, diminuíram em -5,7%, sendo -5,8% na Administração Central (Estado); -3,4% na R.A. dos Açores; -6,2% na R.A. da Madeira e -4,8% na Administração Local. E isto apenas num ano.

Este estudo só vem dar mais força às justas reinvindicações dos enfermeiros, pois estão a perder poder de compra à demasiado tempo, é necessário e justo a reversão desta situação!

 

Sempre pela justa valorização e dignificação da profissão!

SERAM sempre com os enfermeiros!

 

Fonte:

Rosas, E. (2023). https://www.eugeniorosa.com/shared/docs/2023/02/8-2023-perda-poder-compra-AP.pdf