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As Lesões Musculoesqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) e os problemas de saúde psicológica (por exemplo, stresse, ansiedade e depressão) são as duas causas principais de ausência por doença relacionada com o trabalho na União Europeia.

Através dos estudos realizados, a EU-OSHA conclui que existe uma correlação entre as lesões músculo-esqueléticas e os fatores de risco psicossociais, especialmente quando conjugados com fatores de riscos físicos, nomeadamente:

  • elevado volume de trabalho;
  • exigências contraditórias e falta de clareza sobre a função e as tarefas;
  • falta de participação nas decisões que afetam o trabalhador e falta de influência sobre a forma como o trabalho é feito;
  • mudança organizacional mal gerida;
  • precariedade laboral;
  • comunicação ineficaz e contraditória;
  • falta de apoio das chefias ou dos colegas;
  • exposição à violência ou a ameaça de violência;
  • discriminação e intimidação;
  • pouca satisfação no trabalho;
  • autoritarismo das chefias e mecanismos de avaliação do desempenho baseados nos níveis de produtividade;
  • pressão temporal de execução das tarefas.

A avaliação de riscos para a saúde e segurança no trabalho deverá por isso considerar a combinação de todos estes fatores para adotar as ações preventivas.

 

O stresse é o fator mais frequentemente citado para explicar o mal-estar, a inadaptação, o esgotamento e o sofrimento dos trabalhadores no local de trabalho

 

  • O stresse persistente pode levar a: alterações hormonais, tais como a libertação de catecolaminas ou hormonas corticosteroides que têm um papel no desenvolvimento de LMERT, um aumento do tónus muscular («tensão»), alterações nos mecanismos de reparação de tecidos, maior perceção da dor.
  • Elevadas exigências físicas e uma falta de apoio (de colegas e outros) podem levar a que os trabalhadores tentem trabalhar de forma mais rápida (nomeadamente não fazendo pausas) e com esta pressão podem: adotar posturas perigosas ou transportar cargas extra (aumentando o risco de lesão musculoesquelética) ir por atalhos (percorrer caminhos mais curtos) e correr riscos (aumentando o risco de acidentes).
  • A falta de tempo de recuperação física pode agravar ainda mais o risco de LMERT: A concentração de exigências pode igualmente conduzir a pressões psicossociais suplementares, por exemplo devido a preocupações com a não concretização de objetivos ou o incumprimento de prazos.
  • A sujeição do trabalhador ao stresse persistente leva a uma maior tensão muscular, que terá impacto na carga biomecânica nos músculos e tendões, aumentando o risco de sobrecarga.
  • Muitas LMERT perturbam o equilíbrio entre danos nos tecidos e reparação, resultando em inflamação. As alterações relacionadas com o stresse nos mecanismos de reparação perturbam ainda mais o equilíbrio e podem sobrecarregar os processos de recuperação de tecidos.
  • Outros mecanismos podem atuar indiretamente: por exemplo, a perceção do stresse pode resultar numa maior consciência da dor (perceção da dor) ou menor tolerância à dor.

 

Sem dúvida que todos estes pressupostos apesar de serem relacionados aos trabalhadores na sua generalidade, podemos bem percecioná-los na profissão de enfermagem com as cargas de trabalho crescentes, com a falta de recursos humanos e com a pressão constante para resolver um conjunto de situações num ambiente de grande stress.

 

 

PROMOVER A SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO É GARANTIR QUALIDADE DE VIDA AOS TRABALHADORES!

Como resulta do exposto, problemas como a precariedade laboral, horários desregulados como o banco de horas, turnos rotativos ou a adaptabilidade, insegurança no trabalho, relações problemáticas e conflituosas com colegas ou chefias, prazos apertados, ritmos intensos e falta de autonomia para decidir a cadência do trabalho, etc., afetam a saúde fisiológica e psicológica dos trabalhadores, provocando situações de stresse e ansiedade, contribuindo para a contração de problemas de saúde relacionados com o trabalho, mais especificamente lesões musculoesqueléticas e problemas psicológicos. A ansiedade e o stresse podem também contribuir para uma maior insegurança no uso dos equipamentos e ferramentas de trabalho, contribuindo para o acréscimo de acidentes e de doenças profissionais.

Só com uma aposta na segurança, ao invés da insegurança, na valorização, ao invés da desvalorização, na humanização e na qualificação, ao invés de na desqualificação e nos baixos salários, na motivação, em vez do conflito e na cooperação e entreajuda, ao invés da lei da selva, será possível, um dia, todos os trabalhadores desfrutarem de locais de trabalho mais saudáveis.

Neste sentido, o combate e a eliminação da precariedade laboral, nas suas mais diversas formas (contratual, temporal, salarial, funcional) constitui uma das mais importantes linhas de ação contra os riscos profissionais, incluindo os psicossociais.

 

INFORMA-TE SOBRE OS TEUS DIREITOS JUNTO DO REPRESENTANTE SINDICAL DO TEU SERVIÇO E JUNTO DO SINDICATO.

ESTAR SINDICALIZADO É MAIS SEGURO!

 

 

Fonte/Bibliografia:

Dupont, L. e Chagas, E. (2022). Não Arrisque Segurança e Saúde no Trabalho. InfoSegurança, Newsletter (6), 2-5. http://www.cgtp.pt/images/images/2022/12/Info_Seguranca_Setembro_2022_.pdf